Beleza em números

Enquanto outros setores da economia tremem diante da crise, o mercado de beleza só pensa em crescer


A frase de João Carlos Basílio, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), resume a saúde dos negócios no mercado da vaidade e bem-estar. "Apesar das dificuldades, as pessoas não vão deixar de escovar os dentes, tomar banho, cuidar do cabelo. Vão continuar usando desodorantes, cremes, etc. A sociedade brasileira, em todas as classes, não abre mão dos cuidados pessoais."
O Brasil é o terceiro maior consumidor de produtos de higiene e beleza, atrás dos Estados Unidos e Japão. Entre os itens que lideram o mercado brasileiro, os produtos para cabelos vêm em primeiro lugar, seguidos pela perfumaria e cosméticos para a pele. Os números impressionam. Segundo Basílio, há mais de uma década o setor cresce num ritmo muito mais rápido que o do PIB brasileiro. "Entre 1996 e 2007, houve um aumento acumulado de 245,5% no faturamento, deflacionado pelos índices da Fipe." Outro lado positivo: o segmento é um dos que mais geram oportunidades de trabalho, dando empregos a 3,4 milhões de pessoas.
Quanto às projeções para 2009, observa que o setor tem um diferencial em relação aos demais, já que não depende de crédito, mas sim de renda. "O governo decretou, a partir de fevereiro, um aumento de 12% no salário mínimo vigente, com validade para os próximos onze meses, o que, em grande parte, garante o consumo da população mais carente. Enquanto o desemprego estiver focado em alguns setores e não contaminar a economia como um todo, continuaremos prevendo um ano com crescimento acima de 5%. Estamos falando em crescimento real, enquanto nos países desenvolvidos só se fala em recessão, que se aprofunda a cada semana."
Um dado relevante que movimenta os negócios é a demanda das classes C, D e E. "Pesquisas mostram que houve uma sensível melhoria no nível de vida dos brasileiros, graças ao aumento do emprego formal, ao crescimento da classe média e a programas governamentais de complementação da renda, que surtiram efeitos positivos no consumo."
O presidente da Abihpec, João Carlos Basílio, lembra que, segundo a Associação Brasileira de Institutos de Pesquisa de Mercado, atualmente a classe C representa 40% do consumo nacional. E acrescenta:
- No processo de ascensão de uma classe para outra, as pessoas incluem no seu estilo de vida uma série de bens e serviços dos quais não pretendem abrir mão, desde que possam honrar seus compromissos. Hoje, 33% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres e elas são o grande motor das compras do segmento. Mais importante do que o porcentual de empresas que desenvolvem linhas específicas para essas classes é o fato de que, na área de cuidados pessoais, nem sempre as pessoas consomem de acordo com o seu nível social. Alguém da classe C pode investir num xampu ou creme com preço de classe A. Já no setor de automóveis, por exemplo, dificilmente se consegue fazer isso.

fonte: http://www.estadao.com.br/noticias